Fico pensando em como as pessoas são arrogantes quanto a sua condição de seres humanos. Como ápice disso, pensamos que as leis do universo vão servir aos nossos propósitos, ao nosso bel prazer, simplesmente porque achamos que somos especiais.
Nós ficamos tão abismados com a complexidade das nossas conexões sinápticas, nossa capacidade de aprendizado, nossa memória, nossa criatividade a ponto de simplesmente não podermos aceitar que nossa existência não tenha um sentido - é inadmissível pensar que somos uma tribo de macacos sem pelos jogados à própria sorte em um universo frio e infinito, sem propósito na vida... é desesperador, é solitário.
Mas, todos esses que perdem tempo pensando em quanto somos especiais e quanto somos diferentes (e melhores) que outros tantos organismos deveriam pensar no quanto nós somos tão especiais e similares a outros organismos. Deveriam pensar nas nossas humildes origens a milhares de milhões de anos atrás, deveríamos pensar em como nossa vida humana é frágil e em como as bactérias, as plantas, os fungos, os artrópodes, os dinossauros e as aves já foram os grandes donos da terra - agora simplesmente está sendo nossa vez. Deveríamos, todos nós, pensar no quanto a nossa vida é efêmera demais para se desperdiçar tempo com essas futilidades classicamente humanas...
Nós estamos dentro do universo, somos parte dele e claramente dividimos os átomos que constroem nosso corpo com os astros que cercam o torrão de rocha e poeira que chamamos de lar... não tem como ser mais especial pensando assim. Não tem como se sentir solitário ou sem sentido pensando assim. Não tem como se sentir triste pensando que fazemos parte de um todo, ou melhor, do tudo.
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