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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Leitura e a "dádiva" da ignorância

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     Quanto mais eu leio, mais percebo o quanto de mundo falta eu conhecer, e qual não é minha felicidade em não precisar nem sair do aconchego de minhas cobertas com o ventilador ligado em minha cara para conhecer boa parte do mundo, as pessoas que nele viveram, o que pensavam, o que faziam e por quem faziam.


Eis que sempre pensei assim, ao que um dia ouço ao meu ouvido uma pessoa me dizendo: você não sabe o que é vida, só vive neste computador, só fica deitado, não sai, não vai conhecer ninguém no computador, só sabe sobre os lugares mas não nunca os vivenciou... Não que isso seria ruim, mas não disponibilizo de todo o dinheiro necessário para tal feito, e mesmo assim eu devolvo uma pergunta: então quem sabe o que é viver? Não estar no computador é viver? Ficar de pé é viver? Sair de casa é viver? "Conhecer" pessoas novas é viver? Olhar os locais de perto e poder tocá-los sem ao menos saber a história do local é viver? Eu curso Ciências Biológicas e uma das coisas que ouvi é que, desde sempre, tentou-se chegar a um conceito de o que é vida, mas nunca chegaram a um consenso, define-se as características dos seres vivos, mas não a vida em si. Invejo então quem sabe o que é viver, e espero que estes seres de capacidade mental e conhecimento superior ao de nós, reles humanos, possam me explanar algum dia. Por outro lado, de fato é outra experiência vivenciar o vento fresco que bate em seu rosto suado ao terminar de montar uma barraca para acampar, do que apenas ler sobre isso, mas eu concluo meu ponto de vista: até certo ponto, eu quem decido que decisões irei tomar, e que experiências eu quero ter em minha vida. (destaque para o trecho "até certo ponto", excluindo eventuais e inevitáveis acidentes de percurso). Algumas pessoas menosprezam o poder que um texto tem sobre suas vidas, do mesmo modo que conheço pessoas que mudaram da água para o vinho ao assistir algum filme, não é difícil encontrar pessoas que mudaram seus pensamentos ao ler um livro.



     Eu muitas vezes me pego pensando se eu seria mais feliz ou menos feliz se tivesse dedicado menos tempo a leitura ou até aos meus inúmeros jogos, e tenho chegado a conclusão que a única dádiva da ignorância se aplica ao fato de não termos ciência de como seria nossas vidas se não fosse "aquele momento" ou "aquela escolha", a dúvida de que nossa vida poderia ter sido melhor nos motiva a rumar em direção a uma meta, a busca daquela vida perfeita, ou ao menos melhor. Não me arrependo de nenhum momento que "perdi" jogando, esquecendo de afazeres, lições de casa (desculpe mãe), nem dos momentos que "perdi" tempo de jogo enquanto fazia meus afazeres e lições de casa, não os fosse feitos, eu não conheceria o jogo Zelda, e nunca teria aquela conversa divertidíssima com meu amigo. Não fossem as lições de casa feitas não teria o que conversar com a garota inteligente. Sem realizar meus afazeres não saberia cozinhar os alimentos que fiz naquele jantar para os amigos.
     Tempo perdido não existe em um mundo onde o tempo é unidirecional, tempo mal-aproveitado seria o termo correto, e mesmo assim, ao meu ver, até o tempo que "perdi" observando meu próprio cadarço foi muito bem aproveitado, e espero que assim seja até o fim de minha vida.


"Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier..."

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