Páginas

sábado, 24 de novembro de 2012

O importante é o que importa

 Volta e meia eu me pergunto se eu sou feliz e me pergunto se a felicidade está em se ter tudo de importante para se viver bem. Aí sempre me lembro de um amigo meu que sempre fala:"O importante é aquilo que importa", talvez pareça bobo, mas podemos conversar muito sobre isso. O que realmente importa?




 Eu sou uma pessoa cujos pais são extremamente simples e me criaram do modo como sabiam. Uma vantagem dessa criação é que eu tive minha cabeça como um livro aberto para coisas que vinham de todos os lados e eu abracei, outra vantagem é que eu aprendi a valorizar muito mais as ações de um indivíduo e o quanto ele tenta se melhorar (ou se corrigir) do que seu sobrenome ou sua família - e eu sempre me perguntei se isso era o caminho certo e cheguei a conclusão recentemente de que se foi o melhor para mim e foi o que fez as pessoas ao meu redor mais felizes, este era o caminho que eu deveria trilhar.
 As pessoas se ligam demais aos títulos, sobrenome, renome, reputação, status e tantos outras definições que se esquecem muitas vezes do que realmente importa para nós como macacos sociais. Conheço diversas pessoas que analisam a índole de um indivíduo pelo quão refinado ele é, ou quanto status este tem - o caso de um professor meu, muito inteligente e extremamente refinado, porém muito pedante, coisa que considero um dos piores defeitos que uma pessoa pode ter (sobretudo quando se pensa que essas pessoas não melhoram porque acham que estão corretas, mesmo sendo normalmente bem esclarecidas).
 Talvez eu me preocupe mais em buscar a felicidade dos outros e me aperfeiçoar do que com coisas fúteis como padrões adolescentes de felicidade ou regras de etiqueta (que eu considero inúteis, TODAS) devido a minha criação muito simples e um tanto enraizada na moral religiosa (algo que eu não considero negativo e nunca considerei, na verdade sempre agradeci que algo na religião me ajudou). Eu penso e repenso: será que eu preciso mesmo comer toda a semana naquele restaurante que tem nome de deserto australiano ou mesmo no rei do hambúrguer para ser feliz? Talvez algumas pessoas considerem felicidade ou mesmo um padrão de vida e para elas, se você não tem isso, você é diminuído como pessoa ("Como assim você nunca foi para Londres/Paris/o restaurante com nome de deserto australiano? Como assim?"). Jack, no clube da luta dizia: "Status é comprar coisas que você não gosta, com um dinheiro que você não tem, para mostrar para pessoa que você nem conhece direito um ser que você não é", e eu não poderia concordar mais - status é um conceito idiota criado por gente idiota e conformista que pensam que ter dinheiro ou atingir um padrão de vida é mais importante do que se melhorar como pessoa (que teoricamente é mais fácil, mas requer um esforço de consciência tremendo para rever seus conceitos).
 Não sou de incentivar a mediocridade ou o conformismo usando isso como desculpa, mas eu aceito muito mais uma pessoa que está estagnada na vida profissional por conveniência e vive a sua vida melhorando o ambiente ao seu redor, se melhorando do que uma pessoa que por mais que obtenha uma vida profissional "satisfatória" e um status social, mas está estagnada na sua vida - já dizia meu amigo Gobatto:"o pessoal podia tentar se melhorar, o pessoal podia querer conhecer coisas novas e opiniões novas, mas eles preferem comer no restaurante do velho que tinha uma fazenda ia ia io".

 Não sei se são necessárias tantas coisas quanto se fala para ser feliz, eu fico feliz quando uma pessoa de um grupo de pessoas que me odiava olha para mim e fala:"ah, cara, você é outra pessoa, você tá super melhor e tal" e todas pessoas do grupo concordarem sem piar. E não é uma coisa que eu goste de ouvir porque alimenta meu ego, é uma coisa que eu amo ouvir porque alimenta minha vontade de me aperfeiçoar. Talvez, a felicidade verdadeira esteja na ignorância (eu sempre pensei e concordei com isso em gênero, número e grau), mas uma vez em que a ignorância não se mostra uma opção... o máximo de felicidade que se pode alcançar é na perfeição própria e no pensamento na felicidade de terceiros.

É isso, tenham um bom dia.

3 comentários:

  1. A felicidade, assim como o amor, é um conceito subjetivo e, como Platão diria, apenas existente para se tentar entender o mundo das ideias. Na verdade, esse conceito é exclusivo dos humanos e serve apenas para mascarar o fim inexorável que todos teremos: a morte. Muito mais fácil acreditar que se pode ser feliz aqui nessa vida (seja tendo dinheiro, seja podendo sambar no morro) do que aceitar que tudo termina. Com o crescimento da burguesia e do sistema com capital, a noção de felicidade se tornou ainda mais agressiva: você só será feliz se alcançar metas (geralmente colocadas pelos seus chefes ou pelo marketing) e, quando chegar em sua meta, voilà, outra meta mais difícil para se chegar naquilo que se convém chamar felicidade. Bem, eu disse tudo isso apenas pra frisar algo muito importante para você: se for eu o professor que você acha pedante, você tá fudido...heauheuhe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não, professor, o pedante não é a sua pessoa (fique sussa).

      Enfim, acho interessante tomar essa análise do conceito de felicidade, mas penso se para uma pessoa se sentir feliz ela deve mesmo alcançar esses padrões e metas impostos pelo sistema ou se deve se libertar desse pensamento para poder encontrar a felicidade em coisas não impostas (no sentido de um emprego, um status social, etc.), mas sim criar seu próprio conceito de felicidade.

      Interessante saber que meu professor lê meu blog (e meia assustador). hahaha

      Excluir
  2. uahuahua O Renato, fique tranqüilo, o pedante não é você, pois a pessoa em questão é REALMENTE pedante, e eu confirmo pelo Zenon que não é só da cabeça dele, é consenso. =)

    ResponderExcluir